Um escritório de assessoria em Lei Rouanet e ProAC, com um site de uma página só, parado desde 2020. A meta nunca foi tráfego: era vender o escritório pra quem procura esse serviço. O problema é que, nesse mercado, quase ninguém procura esse serviço pesquisando por ele.
Três meses depois de o conteúdo subir
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das páginas com volume real estão na primeira página do Google
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mais impressões entre a primeira e a última semana medidas
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das impressões acontecem dentro de recursos de IA do Google
O domínio existe desde 2017, então não era um projeto novo. Era um site que tinha parado. O último arquivo público antes da reconstrução mostra exatamente o que havia, e qualquer pessoa pode conferir no Internet Archive:
Uma única página real
A home. Nenhuma página de serviço, nenhum conteúdo, nada que respondesse a uma pergunta de quem procura.
Nenhuma meta description
E um título que era só o nome repetido duas vezes, sem nenhum termo do assunto.
Sete H1 na mesma página
Dois deles repetidos. O construtor visual gerava hierarquia aleatória.
Oito links internos, cinco deles encanamento
Links de feed, de comentário e de API do WordPress contavam como quase metade da navegação interna.
Uma loja virtual carregada sem existir
O tema puxava WooCommerce em 91 pontos da página, numa consultoria que nunca vendeu produto.
Última mídia enviada em julho de 2020
Cinco anos de distância entre o site e o negócio que ele deveria representar.
O endereço continua o mesmo desde 2017. O que mudou não foi o domínio, foi o trabalho.
A meta da Culturart era aumentar a venda anual de projetos até o escritório se sustentar com o próprio serviço. A meta do site, portanto, era uma só: vender esse escritório pra quem procura esse serviço.
Aí aparece o problema que decide a estratégia inteira. Fomos olhar quantas pessoas pesquisam por fornecedor nesse mercado, do tipo "empresa de captação de recursos". São três consultas, somando treze impressões em quatro meses, todas entre a posição 37 e a 48. A demanda por fornecedor praticamente não se expressa em busca.
Quem busca Lei Rouanet está procurando dinheiro, ou seja, ainda não tem. Economiza em tudo, e hoje usa IA como consultoria de graça. Ele não pesquisa "quem me ajuda com isso": ele pergunta à máquina como fazer sozinho.
Então o site não foi construído pra disputar a busca por fornecedor. Foi construído pra ser o nome que a máquina entrega quando orientar deixa de ser suficiente.
A IA orienta até onde orientar basta. Projeto aprovado exige quem assine, execute e responda por prazo, prestação de contas e erro. É nesse ponto que ela para. E é nesse ponto que a Culturart tinha que aparecer.
Três camadas, e cada uma tem um leitor diferente.
Dez páginas que explicam o vocabulário do setor, de mecenato a enquadramento de projeto. Elas não existem pra receber clique. Existem pra ensinar à IA o que cada termo significa e quem é a Culturart no assunto.
Catorze páginas por caso de uso real: Lei Rouanet pra gravação de álbum, pra exposição de arte, pra festival. É onde a pessoa se reconhece e descobre que o próprio projeto cabe na lei.
Três páginas de serviço, escritas pra serem a resposta de "e agora, quem faz isso pra mim". São o destino do caminho, não a porta de entrada dele.
A ordem importa. Uma página comercial sozinha não é citada por IA nenhuma, porque não há contexto que sustente a citação. A camada de definição é o que torna a camada comercial citável.
Separando as páginas pela função que cada uma tem, a forma aparece sozinha nos dados do Search Console:
| Camada | Citada por IA | Cliques |
|---|---|---|
| Definição | 17,3% | 0,31% |
| Aplicação | 12,5% | 1,24% |
| Comercial | 21,1% | 5,05% |
Páginas com 20 impressões ou mais. "Citada por IA" é a fatia das impressões que ocorre em recursos de IA, pelo relatório próprio do Search Console. "Cliques" é o CTR da camada. Média do site: 16,8% de IA. As camadas somam 10, 14 e 3 páginas, com 14.379, 6.206 e 317 impressões.
21,1%
das impressões das páginas comerciais acontecem dentro de respostas de IA, acima da média do próprio site. O normal é a IA citar conteúdo enciclopédico, não página de serviço. Aqui ela trata "quem me ajuda com isso" como pergunta que a Culturart responde.
16x
é o quanto o CTR cresce da camada que alimenta até a que converte, de 0,31% para 5,05%. Cada camada tem o desempenho que foi desenhado pra ela ter, e não o mesmo desempenho.
O normal é o contrário: crescer significa entrar em termo mais difícil, e a posição média piorar. Aqui o volume fez catorze vezes e a média foi de 9,1 pra 7,4.
51
3.281
5.615
12.803
Julho
2 por dia
Agosto
106 por dia
Setembro
187 por dia
Outubro
492 por dia
Impressões por mês no Search Console. O conteúdo subiu em 1º de agosto, então julho é o site ainda vazio. Outubro vai até o dia 26, data do levantamento. Melhor dia do período: 846 impressões.
A última milha
O schema com telefone e e-mail em toda página não é higiene técnica, é parte da estratégia. Se o desenho aposta que a IA vai encaminhar a pessoa, a IA precisa conseguir entregar o contato sem que ninguém abra o site. Com isso construído, o caminho mais curto até a Culturart passou a não exigir visita nenhuma.
As 35 páginas com volume real somam praticamente todas as impressões do site, e 34 delas estão na primeira página. Não é uma página de sorte puxando a média: é o conjunto inteiro posicionado.
No vocabulário do setor, o site ocupa a posição 8,3 em lei rouanet, que é o termo de cabeça nacional do assunto, disputando com portal de governo. E ocupa proac, pronac, salic, mecenato. Em três meses de site.
Em quantas buscas diferentes o site existe
Impressão mede quantas vezes o site apareceu. Este outro número mede uma coisa diferente e mais difícil: para quantas perguntas distintas ele passou a ser uma resposta possível. E repare na última coluna, que é a que importa: o vocabulário cresce e a qualidade cresce junto.
5
Julho
60% em 1ª página
129
Agosto
49% em 1ª página
151
Setembro
73% em 1ª página
401
Outubro
85% em 1ª página
Consultas distintas com ao menos uma impressão no mês, pelo Search Console. Julho é o site ainda sem conteúdo. Outubro vai até o dia 27.
8,82%
de CTR na principal página de serviço, dez vezes a média do site. As três páginas comerciais estão na primeira página.
7,3%
das sessões terminam em tentativa de contato, por WhatsApp ou formulário. Num site cujo tráfego é majoritariamente informativo.
34,4%
dos cliques do site vêm de gente buscando o nome da Culturart, que é só 1,7% das impressões.
O detalhe que mostra que o mecanismo funciona
Vinte e uma dessas buscas de marca têm o nome escrito errado: culturarte, cultur arte. Quem clica num link não erra a grafia. Quem erra é quem ouviu ou leu o nome em outro lugar e está digitando de memória.
Num site de três meses, sem anúncio e sem marca fora da internet, isso é a assinatura do desenho funcionando: alguém recebeu o nome fora da busca e veio procurar. É o encaminhamento acontecendo.
Vale dizer o incômodo junto, porque ele é consequência direta do desenho. Se a estratégia aposta que a IA entrega o contato, então boa parte do melhor resultado é invisível pra qualquer relatório: a pessoa pergunta, recebe nome e telefone na conversa e liga, sem nunca abrir o site. Nem Search Console nem GA4 veem isso.
Isso significa que os 7,3% de intenção de contato medem só quem passou pelo site. O caminho sem clique, que é exatamente o que a estratégia busca, não está contado em nenhum número desta página.
A única instrumentação que enxerga esse pedaço não é técnica: é perguntar no primeiro contato como a pessoa chegou. Custa uma linha no atendimento e vale mais que relatório. Não vamos apresentar como medido o que não é medido.
A meta era aumentar a venda anual de projetos. Olhando mês a mês, o orgânico sozinho já trouxe lead suficiente pra isso.
Sem anúncio, sem lista comprada, sem disparo. E com um site cujo tráfego é, em volume, quase todo informativo. Foi assim porque a meta entrou no desenho antes das palavras-chave: tráfego qualificado ganha de quantidade, e a arquitetura foi construída pra provar isso em vez de só repetir.
Duas pessoas, do planejamento ao código.
Estratégia, arquitetura de conteúdo, design, redação, construção do site e SEO. Tudo feito pelas duas pessoas da casa, sem time terceirizado e sem fornecedor de conteúdo.
Não é um detalhe de crédito, é o motivo pelo qual o desenho sobreviveu da estratégia até o HTML. Quem decidiu que a camada de definição não precisava de clique é a mesma pessoa que escreveu o schema que entrega o telefone sem clique. Entre pensar e executar não houve ninguém pra traduzir, e por isso nada se perdeu no caminho.
Se for venda, a conversa começa pela forma como seu cliente decide, não por lista de palavra-chave.
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